quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Um racha no comando das Casas Bahia

Portal Exame - Por Marcelo Onaga 04.08.2009 17h00

Depois de anos de conflito, Saul Klein vende sua participação na empresa para o irmão Michael

As Casas Bahia, maior rede de varejo de móveis e eletrodomésticos do país com faturamento anual de aproximadamente 14 bilhões de reais e 60 000 funcionários, acaba de realizar a mais importante mudança de estrutura societária de sua história. Saul Klein, filho do fundador Samuel e irmão mais novo de Michael Klein, presidente da empresa, está fora da sociedade.

Responsável pela área comercial das Casas Bahia e dono de um terço das ações da companhia, Saul vendeu sua parte para o irmão, que detinha também um terço. O terço restante continua nas mãos de Eva, irmã de Saul e Michael que vive nos Estados Unidos e não participa da administração da empresa. No mercado comenta-se que Michael recorreu a bancos e fundos estrangeiros para levantar os recursos. A empresa não comenta, mas estima-se que a parte de Saul valeria cerca de 4 bilhões de reais.

O principal motivo para saída de Saul teria sido a série de desentendimentos com o irmão sobre a condução dos negócios e também a decisão do pai de entregar o comando da empresa a Michael, o primogênito, como manda a tradição judaica. Saul é tido como um grande negociador. É ele quem conseguia preços e prazos junto aos fornecedores em condições mais vantajosas do que a concorrência. "O mercado confia nele e já sabe seu jeito de negociar. Vai ser difícil encontrar um substituto à altura", afirma uma pessoa que trabalhou com a família.

A saída de Saul ocorre em um momento em que o relacionamento das Casas Bahia com os fornecedores tende a ficar mais difícil. A compra do Ponto Frio pelo Pão de Açúcar criou, pela primeira vez, um concorrente com poder para ameaçar a liderança da família Klein no varejo de eletrônicos. "Até agora os fornecedores eram obrigados a aceitar as imposições das Casas Bahia, que eram líderes incontestáveis do mercado", diz um concorrente. "O fortalecimento do Ponto Frio cria um canal que torna menor a dependência dos fabricantes em relação às Casas Bahia."

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Herdeiro de tradicional família austríaca é liberado da prisão depois de pagar custódia de 100 milhões de euros

Veronika Oleksyn, Associated Press Writer
Friday April 3, 2009, 12:14 pm EDT


VIENNA (AP) -- The heir of one of Austria's wealthiest and most venerable business families was released from jail Friday on euro 100 million ($130 million) bail, but some of his countrymen already consider the dynasty's name stained.


Julius Meinl V, the owner of Austria's private Meinl Bank AG, was detained in Vienna late Wednesday on suspicion of offenses including fraud and breach of trust. Among other offenses, he is suspected of defrauding investors through unauthorized share buybacks of the Meinl European Land company, which is now known as Atrium European Real Estate.


"I can confirm his release," said Christian Gneist, a spokesman for a Vienna court connected to the jail where the multimillionaire spent the past two nights. Television images showed him leaving in a taxi.


The 49-year-old Meinl, known for his lavish lifestyle and custom-made suits, comes from an Austrian family that, beginning in 1862, built an empire centered on coffee and other goods considered exotic at the time. Almost 150 years later, the Julius Meinl am Graben delicatessen store in central Vienna sells fine foods from around the world and the Meinl brand has been considered synonymous with quality.


Many Austrians now consider the family's reputation ruined.


The staggering bail, which officials said was paid from a bank account in Liechtenstein, has made headlines here. The tabloid Oesterreich ran a headline that read, "Meinl buys himself freedom for 100 million" and claimed it took just 54 minutes for the money to be transferred Thursday afternoon after a judge ruled that he should remain in investigative custody unless he could come up with the euro100 million bail.


On Thursday, the Austria-based Meinl Bank was quick to point out that the money came from a "private source" -- and not from the bank. Meinl was the bank's chief executive until he stepped down in 2007 to become chairman.


Gerhard Jarosch, a spokesman for Vienna's public prosecutor's office, said Meinl, who is a British national, had been detained for fear he might flee to avoid prosecution. Meinl, who owns a private jet, had to give up his passport before being released and must keep authorities informed of his whereabouts.


Herbert Eichenseder, Meinl's lawyer, said his client disputed the allegations against him.
"I suggested to him he should try to relax for the next few days," Eichenseder said in a telephone interview when asked how Meinl handled his brief prison stint. He declined to provide more details.


Meinl has been under investigation for some time. In February, authorities searched at various houses in an attempt to gather evidence.


If convicted, Meinl could face up to 10 years behind bars.


Meinl is not the first prominent Austrian banker to become mired in scandal. In July, the longtime former director of Austria's BAWAG bank, Helmut Elsner, was among nine people convicted of criminal charges in a major fraud case linked to the 2005 collapse of New York-based commodities brokerage Refco Inc.

quarta-feira, 18 de março de 2009

"Herança: benção ou maldição"

Meu mais recente artigo foi publicado este mês na Revista HSM Management

É preciso ampliar o conceito de planejamento sucessório e gestão de fortunas para incluir o diálogo e a conscientização dos problemas humanos que a fortuna pode causar à família empresária. Isso pode significar a diferença entre um herdeiro amaldiçoado e um abençoado.
Por Alexis Novellino

Para acessá-lo, clique aqui: http://br.hsmglobal.com/notas/43535-herança-bênção-ou-maldição

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pesquisa investiga papel das empresas familiares no novo ambiente economico

10-março-2009

Pesquisa realizada pelo Barclays Wealth e Economist Intelligence Unit

Principais conclusões da pesquisa realizada entre 2300 indivíduos afortunados, sendo 300 ligados a empresas familiares

  • As empresas familiares possuem certas características que podem resultar em sua sobrevivência, ou mesmo prosperidade, no atual ambiente recessivo.
  • Filantropia e um próximo relacionamento com a comunidade são motivações chave para a empresa familiar
  • Os relacionamentos familiares são uma "faca de dois gumes"
  • Especialistas entrevistados indicam que executivos profissionais podem ser uma ferramenta poderosa para contra-balançar as fraquezas da governança da empresa familiar
  • Planejar a sucessão para a próxima geração é fundamental para o sucesso da empresa familiar.

Para baixar o conteúdo completo do relatório desta pesquisa, clique aqui.

Curso - Governança Corporativa em Empresas Familiares - IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa

Dias 14, 15 e 16 de Abril - São Paulo

Novo formato. Aguarde programação

http://www.ibgc.org.br/Curso.aspx?CodSecao=43

II CONGRESSO NACIONAL DE EMPRESAS FAMILIARES - IEFB

O Segundo Congresso Nacional de Empresas Familiares - IEFB acontecerá no dia 20 de março de 2009 em São Paulo na dependências do ESPAÇO VILLA NOAH EMBRATEL. Contaremos com a participação de aproximadamente quinhentos convidados; fundadores, empresários, acionistas, futuras gerações, investidores, conselheiros e executivos de empresas de control familiar.

Entre os palestrantes confirmados estão: a Sra. Chieko Aoki (Fundadora e Presidente da rede Blue Tree Hotels), os Srs. Francisco Amaury Olsen (Presidente da Tigre e Membro do Conselho de Administração da Marisol), Roberto Civita (Presidente da Editora Abril), Nestor Perini (Fundador e Presidente da Lupatech) , Rodrigo da Roucha Loures (Fundador e Presidente da NUTRIMENTAL e FIEP) e a Sra. Leticia Costa ( Sócia da Booz Company).

Data: 20/03/2009
Local: Villa Noah Embratel - São Paulo. www.villanoah.com.br
Rua Castro Verde 266. Bairro Chácara Santo Antônio. São Paulo
Tel.: (011) 2179-3451 / 2179.3400
Horário: das 08:00 às 13:30 h.

http://www.empresasfamiliares-sc.com.br/congresso2009.php

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Riqueza Em Família

Cresce procura por serviços que orientam grupos familiares a proteger o patrimônio e preparar os herdeiros.

Jornal : Valor
Caderno: Eu & Investimentos
Data   : 16/06/2004 

por Felipe Frisch


Há alguns anos, uma milionária viúva freqüentadora de bingos conheceu um senhor disposto a um "relacionamento maduro". Em pouco tempo, ele se mudou para a casa dela e transferiu as contas para o nome dele. Depois de um ano e meio, o relacionamento acabou e o ex-namorado pediu partilha de bens.

Tentativas de golpes como essa, que têm como alvos herdeiros milionários, são freqüentes, diz o advogado Emílio José Ribeiro Soares. No caso da viúva, os seis filhos haviam constituído uma empresa, que recebeu os bens da família. A mãe era só uma sócia que transferiu sua parte aos filhos. Foi o que frustrou a ação do golpista.

Para planejar a sucessão familiar dos bens e protegê-los, escritórios familiares inspirados nos criados pelos tradicionais clãs milionários - o exemplo clássico é dos centenários Rothschild - estão se multiplicando. São os multi-family offices, escritórios que atendem mais de uma família. Com a abertura da economia brasileira nos anos 90 e a venda de grupos nacionais para estrangeiros, houve uma explosão no número de milionários com dinheiro na mão.

"As empresas aqui surgiram com o trabalho que se transformou em riqueza, mas para a geração seguinte a riqueza vem pela administração do que foi construído", explica o especialista em sucessão familiar Renato Bernhoeft. Como o modelo empresarial brasileiro tem menos de 50 anos, a maior parte das grandes empresas ainda está sendo transferida para a segunda geração. "O Brasil é um dos países em que a riqueza está mudando de mãos mais rapidamente", diz o consultor. De cem fortunas existentes, afirma, apenas 18 foram herdadas.

O objetivo do serviço é gerir o patrimônio, incluindo a orientação de investimentos e consultorias jurídica e tributária. Os formatos são diversos: de gestoras que criam áreas para administrar fortunas a escritórios de advocacia com foco na sucessão e na orientação tributária.

No mundo, são estimados 5.500 escritórios que atendem a herdeiros. Na América Latina, são apenas 220, para 3.850 nos EUA. Consultores especializados dizem que, no Brasil, não passa de 15 o número de escritórios "legítimos", que atendem a uma única família, ou seja, os "single family offices".

Os mais conhecidos são das famílias Gerdau, Unibanco e Safra. Mas não se deve confundir a empresa familiar com o family office. O objetivo do escritório é justamente separar o patrimônio da família do negócio familiar.

Em alguns casos, uma opção é transmitir a administração da empresa familiar para um profissional. Um erro comum, segundo ele, é o herdeiro olhar a empresa da família como "um lugar para trabalhar amanhã". "Uma empresa com três herdeiros pode passar a ter três donos e estes precisam se entender", diz Bernhoeft. Segundo ele, ainda é prática nas empresas familiares brasileiras o uso de funcionários - como motorista e contador - para finalidades pessoais.

Na opinião de Bernhoeft, o mercado de capitais pode contribuir para a separação e também sai beneficiado pela mudança do papel do herdeiro para o de investidor que recebeu uma participação acionária. Em parte, foi o que fez a multi-familiar Natura. Os três controladores abriram o capital, sem abrir mão do controle, colocando 25% das ações no mercado e ainda diversificaram os patrimônios pessoais.

O crescimento do número de milionários aumenta a necessidade de serviços especializados. De acordo com estudo da corretora Merrill Lynch e da consultoria Capgemini, o número de pessoas com mais de US$ 1 milhão de patrimônio no Brasil cresceu em 2003 para 80 mil, comparado a 75 mil em 2002, com um patrimônio de US$ 1,75 trilhão. Parte desse aumento reflete a valorização do real em 2003, mas a tendência mundial é de crescimento. No mundo, são 7,7 milhões de milionários, donos de US$ 28,8 trilhões. O número de milionários cresceu 7,5% e o patrimônio 7,7% só no ano passado. A expectativa é de chegar a US$ 40,7 trilhões até 2008.

Para aproveitar o nicho promissor e popularizar o segmento no Brasil, até o padrão internacional foi adaptado. Nos EUA, os family offices têm patrimônios acima de US$ 150 milhões, mas aqui há escritórios que oferecem serviços para famílias com mais de R$ 1 milhão em ativos. Os custos podem variar de 0,6% ao ano sobre o patrimônio - para valores acima de R$ 100 milhões - a 1% para faixas próximas de R$ 1 milhão. Segundo o diretor sênior e responsável pelo Private Bank do Itaú, Lywal Salles, se fosse respeitado o padrão mínimo de US$ 50 milhões de alguns family offices, menos de 70 famílias teriam patrimônio para isso.

Planejar a sucessão inclui também escolher a melhor forma de diminuir a mordida de impostos ou de relações conjugais mal resolvidas. "Se o filho está namorando, pode ser constrangedor fazer um pacto de convivência, mas quando há um escritório para isso, fica mais difícil levar para o lado pessoal", diz Emílio Soares. Ele hoje tem 20 clientes, mas montou a Naopim Family Office para administrar o dinheiro da própria família, após a venda da fábrica de cimentos Montes Claros para a francesa Lafarge, por US$ 120 milhões em 1996, e teve de distribuir os recursos entre 22 sócios, entre primos, tios e os pais.

Emílio conta que mesmo orientações que parecem simples podem ajudar os clientes. "Quem estiver com o patrimônio numa holding pessoal pode estar perdendo dinheiro, aí é melhor deixar na pessoa física, mas ficar com vários imóveis na pessoa física pode não compensar e pode ser melhor montar uma holding imobiliária", exemplifica.

Uma medida raramente utilizada pelos clientes, mas que pode evitar pagamento de Imposto de Renda desnecessário é, em caso de obras num imóvel, pedir o reconhecimento do aumento do valor do bem no Registro de Imóveis. "Isso evita que seja caracterizado um ganho de capital na venda", diz Emílio Soares.

Outro caso, diz ele, é quando os pais querem dar dinheiro para os filhos: pode ser melhor fazer isso por meio de uma distribuição de dividendos, livres de tributação, ao contrário do que acontece na doação. E, em algumas situações, pode ser melhor distribuir o patrimônio em vida para evitar que os herdeiros tenham de arcar com os impostos.

"Ser herdeiro pode ser a pior coisa do mundo, pois precisa-se conviver com o sucesso da geração anterior e, se não mantiver o patrimônio, vão dizer que nem isso o sujeito foi capaz de fazer", avalia o especialista em governança familiar René Werner, egresso de um family office que administra os recursos sua família, fundadora da Sumaré Indústria Química.

Uma da gestora de recursos que criou área especial para grandes fortunas familiares foi a Fidúcia Asset Management, braço de multimercados da Rio Bravo. Segundo o diretor executivo da Fidúcia, Marcelo Serfaty, eles atendem sete famílias e administram cerca de R$ 400 milhões com um ano de empresa. A ambição é chegar a 40 famílias em dois anos. Há negociações com 30, mas muitas não conseguem definir suas estruturas de decisão e de risco.

Com a crescimento da importância dos family offices, a idéia de que só imóveis garantem o patrimônio está mudando. De acordo com o estudo da Merrill Lynch e da Capgemini, em 2003 o investimento em ações teve a maior fatia das aplicações milionárias no mundo - 35% do patrimônio destes ante os 20% de 2002. Investimentos alternativos - hedge funds, moeda estrangeira, arte, metais e produtos estruturados - foram 13%, contra os 10% de 2002. A renda fixa caiu de 30% para 25% dos investimentos. Apesar do aparente aumento do apetite pelo risco, os imóveis eram 15 do patrimônio em 2002 e hoje são 17%.

Segundo Serfaty, não há um perfil de risco único na gestão familiar de fortunas. Mesmo que o padrão de vida não mude de R$ 100 milhões para R$ 200 milhões investidos, algumas famílias têm gerações jovens, estão em fase de crescimento e acabam assumindo mais risco. Outras já estão em fase de gasto da renda, precisam de mais caixa e têm menos tolerância à volatilidade, diz.

Para dar conta das diversas demandas desse público, Lywal Salles, do Itaú, estabeleceu parceria com cerca de 20 instituições, entre escritórios de advocacia e até mesmo gestoras de recursos não pertencentes ao grupo Itaú.

"Temos preocupação em trabalhar com uma arquitetura aberta, ou seja, oferecer produtos de diversas instituições brasileiras e estrangeiras", diz ele, que considera a preocupação em só vender produtos da própria instituição danosa ao serviço.

Por contraditório que pareça, a humildade no atendimento a este tipo de cliente é fundamental. "Não podemos querer atender 100 famílias de uma vez", diz Salles, que dá conta de seis fortunas familiares, cerca de R$ 500 milhões totais. Cada família é atendida por um diretor do banco e mais quatro profissionais, alguns com origem em famílias do seleto grupo de milionários.